30 de junho de 2010

O que mais posso fazer? (What More Can I Give)

por Karen Faye
Traduzido por Kevin Mendelsohn


Michael dedicou sua vida inteira dividindo o que havia de bom em seu coração a todo custo. Ele era um especialista em esconder sua própria dor para ajudar o próximo. Logo abaixo eu descrevo uma história que ilustra bem as situações que muitos da sua equipe (mesmo em "This Is It") não conseguiriam notar. Michael era constantemente desafiado e ao mesmo tempo tinha um senso de responsabilidade com sua família e fãs que o fazia querer proporcionar momentos de alegria num mundo onde a dor, problemas financeiros, a guerra e a destruição tomaram grandes proporções. É hora do show:


Em 1999, Michael estava escalado para dois concertos beneficentes que ajudariam a Cruz Vermelha, a Fundação de Ajuda às Crianças Nelson Mandela e a UNESCO: o "Michael Jackson & Friends". A equipe e os artistas responsáveis pelo evento voaram de uma primeira edição em Seul, na Coréia, para Munique, na Alemanha. Foi um vôo maravilhoso porque tivemos a oportunidade de conhecermos todos que participariam.

Chegamos ao Estádio Olímpico de Munique na tarde de 27 de Junho de 1999 para aprontar a aparição de Michael para o início do evento. Ele introduziu Andrea Bochelli naquela tarde. O sol estava se pondo, dando espaço para a noite, mudando completamente o clima da arena. Era uma tarde de verão quente. O público se entusiasmou com outros artistas naquele dia: Luther Vandross, The Kelly Brothers, Ringo Starr... mas parecia mesmo que o público queria ver o Michael.

A empolgação tomou conta do lugar. A mágica estava acontecendo. O palco foi se transformando em paredes com luzes, telões e equipamentos criados especialmente para a performance de Michael.
Michael Jackson, Michael Bush e eu (Karen Faye) usamos os últimos minutos para cuidar de detalhes de guarda-roupas à direita do palco. Checamos a lista: microfones, fios, troca de roupa, toalhas, lista de músicas, repositor de líquidos, ventiladores, maquiagem. Michael fez alongamento para aquecer. Assim que a luz tomou conta do ambiente, pude sentir a energia antecipadamente tomando conta de todos nós. Qualquer sinal do Michael aparecendo no palco criava um delírio no público... Michael se espreitava nas cortinas para ver o público. Os músicos voltaram e fizemos uma oração, unindo nossas mãos, então o show começou.
Fizemos isso por anos e eu estava assistindo à direita do palco. Fizemos as trocas de roupa. Tudo estava perfeito: o Medley... Beat It, Black Or White com Slash, Billie Jean e então os artistas locais entraram para participar de Earth Song...

Assim que a música começou a ponte apareceu, assim como ocorreu na Coréia. Aos poucos, crianças e adultos completaram o palco e Michael subiu até a ponte, dançou e bateu os pés e a ponte subiu sem os alicerces, como o previsto. Fumaça e explosões bombardiavam nossos olhos e ouvidos. A ponte foi subindo mais e mais, mas ao contrário dos ensaios e do último show, ela não parou. Ao invés disso, ela começou a cambalear e descer bruscamente e ele continuava a cantar. Comecei a gritar, mas eu não podia sequer ouvir a minha voz sobre os efeitos, da música e do público.Comecei a correr atrás do palco em pânico ao ver como a ponte desapareceu rapidamente para baixo da frente do palco, batendo diretamente no chão! O segurança me segurou e me fez parar, pensando que eu poderia estragar a performance.

Nos bastidores havia choros e gritos. Apenas a equipe sabia que havia algo errado. De onde estávamos parecia que tínhamos perdido o Michael naquele momento. Meu coração parou! Só sentia os braços de um segurança que também estava perplexo. Para as pessoas o show estava dentro do previsto. Para mim, o tempo parou! Como Michael pôde ter sobrevivido a uma queda tão brusca? Mas, finalmente, depois de alguns segundos que pareciam uma eternidade, a música e os aplausos continuaram: eu vi um braço subindo o palco, depois uma perna magra e outro braço e outra perna... ele subiu de volta. Ele foi para centro do palco finalizar Earth Song.

Eu estava de boca aberta espantada, mas aliviada. Meio atordoado, ele fez o caminho de volta para nosso lado do palco. "Michael, sente-se", disse. Ele respondeu: "Não!". Eu implorei para que o segurança o levasse para o hospital e ele dizia "Não!". Ele pegou o microfone e saiu para cantar You Are Not Alone. Não consegui acreditar no que estava vendo. Ele finalizou, agradeceu e voltou para se trocar. Em seguida, ele entrou em colapso. O segurança levou-o para o Hospital em Munique. Os músicos, os bailarinos, Slash e todos da equipe ficaram surpresos ao testemunharem o encerramento do show. Fizemos preces.
Uma vez de volta ao hotel, comecei a fazer telefonemas para ver a situação dele. Os exames não apontaram fraturas graves, mas sua coluna sofreu dano. Era um milagre. Sendo o artista que era, ele tinha que terminar. No dia seguinte fomos a Paris para uma seção de fotos, no entanto adiamos ela até que ele melhorasse. Eu aproveitei para perguntar: "porque você continuou? Não acredito que se arriscou tanto".

Ele respondeu: "Sabe, Turkle (apelido), naquele momento a única coisa que eu ouvi na minha cabeça, era a voz de meu pai dizendo para mim: 'Michael, não decepcione o público!'.

31 de maio de 2010

A história por trás das gravações de "Fall Again"

por Darren Hayes
Traduzido por Kevin Mendelsohn


Para os fãs de Michael Jackson, esta será uma história inédita do meu 'quase' encontro com o Rei do Pop e o quanto ele me inspirou.

Quem é fã das minhas composições sabe que Insatiable foi co-escrita e produzida por Walter Afanasieff. O que poucas pessoas sabem é que eu só escrevi essa música por inspiração após ouvir uma música escrita por Walter e por Alan Thicke para Michael Jackson em 1999 chamada Fall Again.

Esta é a versão demo de Michael Jackson:



Essa é a história:

Quando eu estava gravando o álbum Affirmation do Savage Garden em São Francisco com Walter em 1999, ele tocou uma demo da música Fall Again - na época a voz era ainda de Robin Thicke. Ambos iriam enviar a música para Michael Jackson incluir no projeto do álbum Invincible.

Eu fiquei embasbacado porque tudo tudo o que eu ouvia na música remetia ao jeito do Michael. Na época, Walter me disse que não tinha certeza se Michael estaria interessado, mas como fã eu tive um sentimento que quando MJ ouvisse ele teria a mesma sensação que eu tive. Me fez lembrar a exuberância de canções clássicas de Michael como Human Nature.

Eu sabia que MJ não hesitaria.
E eu estava certo.
Darren Hayes, ex-integrante do Savage Garden
Michael a pegou e topou gravar uma demo. Mas havia um pequeno problema: a única data disponível que Michael tinha disponível era uma que Walter tinha reservado comigo para as gravações dos vocais do álbum Affirmation do Savage Garden.

Walter decidiu que gravaria ambas as sessões e, assim, voamos a Nova York.

Eu gravei no período da manhã nos Estúdios da Sony e à tarde ele gravara com Michael Jackson na The Hit Factory que fica, literalmente, do outro lado da rua.

A versão postada aqui no artigo é a única que Michael já cantou. Um único take. Ele não teve sequer tempo para decorar a música propriamente (mas que trabalho incrível ele conseguiu fazer!).

No dia em que gravou com Michael, Walter voltou aos Estúdios da Sony duas horas mais tarde radiante como nunca. Ele falou muito bem de Michael, sobre a sua voz, sua educação e seu talento. O que me tocou mais foi quando ele falou dos filhos de Michael (Prince e Paris). Walter me disse que eles estavam na sessão e que Michael havia colocado um monitor no estúdio de gravação para acompanhar a babá em outro cômodo enquanto ele estava cantando. A sessão foi interrompida porque as crianças estavam um pouco doentes e Michael, sendo um bom pai, queria prezar por seus filhos. Ele pediu desculpas e deixou o estúdio após um único teste.


Eu não havia ouvido a versão de Michael até que foi lançada anos depois (apesar de Walter saber que eu era um grande fã, ele respeitava a confidencialidade de MJ e nunca tocou a música para mim). Mas eu tinha lembrado da sensação e a magia da música desde a primeira vez que eu ouvi Robin Thicke do vocal e então, quando chegou a hora de eu gravar meu primeiro álbum solo, pedi a Walter para tentarmos escrever uma canção com a mesma energia. É assim que nós escrevemos Insatiable.

É surpreendente ouvir Michael Jackson na versão demo de Fall Again anos mais tarde e ser admirado com sua arte. Michael é a razão pela qual eu me tornei um artista. (Eu o vi na Bad Tour em 1987 e, desde então eu soube o que eu queria fazer para o resto da minha vida). Escutando seus álbuns aprendi a cantar. Me orgulho de ter muita inspiração dele no meu trabalho. E embora ele não esteja mais entre nós, eu gosto de pensar que a pequena faísca que acendeu em mim como um artista faz parte de seu legado.

Desculpem-me se este texto foi longo e eufórico, mas sei que muitos fãs do Michael são apreciadores desse tipo de história e eu sempre quis compartilhar isso. E hoje eu o fiz.

28 de maio de 2010

"Ele pegou na minha mão": os bastidores de 'Scream'


Publicado no 'The Venice Arts Club' em 6 de setembro de 2009

Tradução de Gleison Fernandes
Fonte: MJ HideOut



Talvez eu deveria ter contado anos atrás... tem sido o meu pequeno segredo por muito tempo, mas agora quebrarei o meu silêncio e tornarei público o fato de que Michael Jackson pegou minha mão...

O incidente teve lugar na Universal Studios durante as filmagens de seu vídeo, Scream, com Michael e sua irmã, Janet. Pouco antes de eu conhecer o Michael, enquanto trabalhava na fase de produção e os ensaios da turnê Dangerous.

Tanto Mark Romanek, diretor de Scream, e Tom Foden, designer de produção, são absolutamente perfeccionistas. Tem sido um prazer trabalhar com ambos em muitos projetos. No mundo do cinema, trabalhando com pessoas que possuem uma visão é significativamente melhor do que deixar de ser claro sobre o conceito. Neste trabalho em específico, eu trabalhava no departamento de arte dirigido por Tom Foden junto com outros membros do departamento incluído Dana Garman, Richard Berg, Jamie Vickers, Pietsch Paulie, Mark Brooks, para citar alguns.

O vídeo Scream pode ser o mais caro já feito na história, acho que o orçamento total de produção/pós-produção era algo como 8,3 milhões de dólares. E posso dizer que o orçamento para o departamento de arte teve uma grande fatia, quase a metade. Para o cenário foi necessario três naves completas da Universal Studios em Los Angeles, com mais de uma dúzia de cenários colocados nessas naves. Uma vez começou a gravação, meu papel era basicamente o "representante do departamento de arte", que teve que permanecer no set o tempo todo como "cara" do departamento de arte. Pela natureza do meu trabalho, tinha uma estreita interação com os talentos que havia no cenário.

O trabalho foi louco, sem dúvida. Três naves, mais de uma dezena de cenários, vinte dias de gravação.

Durante o primeiro dia de gravação recebemos uma chamada às 07h, era de se esperar que Michael aparecesse na parte da tarde. Depois de cabelo e maquiagem as 16h30 foram dado inicio as gravações. Ficou claro que nos iríamos gravar à noite nos próximos 20 dias. Também ficou claro que Michael gostava de fazer assim: trabalhar à noite.

Finalmente Michael fez a sua entrada e se reuniu com Mark que explicou a gravação. A primeira coisa que ele gravou com Michael foi quando ele dança sobre um dos solos brancos que se vê no vídeo. Michael encontrou sua posição, cerca de 2 metros da câmera, fez um par de tomadas, em seguida, logo mencionou que o piso (linóleo de vinil branco) escorregava. Eu fui com as minhas ferramentas, uma lixa de metal, um pedaço de pano e uma lata de spray com um "líquido especial" e esfreguei o chão um pouco com a lixa. Mark saiu de trás da câmera, olhou para o meu trabalho manual e chamou o Tom depois perguntou se tinha perdido o "brilho". Eu disse que não, que ao aplicar o spray especial voltaria brilhar novamente. Quando me levantei Michael olhou para mim, sorrindo: "Eu me lembro de você nos ensaios da turnê." Eu disse, "Sim", e perguntou como estavam os meus filhos, eu disse: "bem, são incríveis". E tudo voltou ao normal, Michael fez sua parte.

Como previsto, a chamada a equipe passou de sete horas para 16 horas e trabalhamos de 16h às 04h da manhã.

Nas últimas horas do último dia de filmagem, nos fomos ao cenário "zen". Esse foi o último dia, última cena, última sessão de gravação. O departamento de artístico havia dado os retoques finais para o cenário antes de Michael entrar para tomar seu lugar no pódio no centro do cenário 'zen'. Michael dirigiu a cena e disse o quanto tinha sido bom. Estava muito relaxado era óbvio que ele gostou de sentar no meio deste templo temporário.


Quando Mark pediu para quebrar o centro do teto, peguei uma escada de 12 degraus, subi e comecei a serrar. Em um momento infeliz quando estava serrando cortei o meu terceiro dedo esquerdo. Sem dizer nada, eu procurei um pano no bolso traseiro, enrolei meu dedo com ele, eu desci as escadas e sai do cenário. Passei ao lado de Tom ao sair e mostrei o que tinha acontecido. Tom me levou a uma extremidade da nave e sentamos no asfalto. No momento em que um monte de pessoas da equipe estavam ao meu redor. Um grupo de rapazes mascando chiclete as três horas da madrugada.

De repente, o círculo de pessoas abriu e Michael veio e parou um momento, se inclinou sobre mim, olhando para baixo. Ele percebeu minha mão esquerda e, em seguida, olhou para mim. Ele se ajoelhou ao meu lado e pegou minha mão direita e apertou com a sua. Ele olhou nos meus olhos e me disse o quanto ele sentia, não parava de dizer o quanto ele sentia, acabou com lágrimas nos olhos e me levou pela mão até a ambulância.

Na semana seguinte, recuperando-me em casa, chegaram presentes de Michael e Janet. Objetos de bom gosto como roupão, incensos, um cartão entre outras coisas.

Essa é a minha história: Michael Jackson pegou a minha mão. Michael, se você pode ler isso, obrigado pela sua preocupação.