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31 de maio de 2010

A história por trás das gravações de "Fall Again"

por Darren Hayes
Traduzido por Kevin Mendelsohn


Para os fãs de Michael Jackson, esta será uma história inédita do meu 'quase' encontro com o Rei do Pop e o quanto ele me inspirou.

Quem é fã das minhas composições sabe que Insatiable foi co-escrita e produzida por Walter Afanasieff. O que poucas pessoas sabem é que eu só escrevi essa música por inspiração após ouvir uma música escrita por Walter e por Alan Thicke para Michael Jackson em 1999 chamada Fall Again.

Esta é a versão demo de Michael Jackson:



Essa é a história:

Quando eu estava gravando o álbum Affirmation do Savage Garden em São Francisco com Walter em 1999, ele tocou uma demo da música Fall Again - na época a voz era ainda de Robin Thicke. Ambos iriam enviar a música para Michael Jackson incluir no projeto do álbum Invincible.

Eu fiquei embasbacado porque tudo tudo o que eu ouvia na música remetia ao jeito do Michael. Na época, Walter me disse que não tinha certeza se Michael estaria interessado, mas como fã eu tive um sentimento que quando MJ ouvisse ele teria a mesma sensação que eu tive. Me fez lembrar a exuberância de canções clássicas de Michael como Human Nature.

Eu sabia que MJ não hesitaria.
E eu estava certo.
Darren Hayes, ex-integrante do Savage Garden
Michael a pegou e topou gravar uma demo. Mas havia um pequeno problema: a única data disponível que Michael tinha disponível era uma que Walter tinha reservado comigo para as gravações dos vocais do álbum Affirmation do Savage Garden.

Walter decidiu que gravaria ambas as sessões e, assim, voamos a Nova York.

Eu gravei no período da manhã nos Estúdios da Sony e à tarde ele gravara com Michael Jackson na The Hit Factory que fica, literalmente, do outro lado da rua.

A versão postada aqui no artigo é a única que Michael já cantou. Um único take. Ele não teve sequer tempo para decorar a música propriamente (mas que trabalho incrível ele conseguiu fazer!).

No dia em que gravou com Michael, Walter voltou aos Estúdios da Sony duas horas mais tarde radiante como nunca. Ele falou muito bem de Michael, sobre a sua voz, sua educação e seu talento. O que me tocou mais foi quando ele falou dos filhos de Michael (Prince e Paris). Walter me disse que eles estavam na sessão e que Michael havia colocado um monitor no estúdio de gravação para acompanhar a babá em outro cômodo enquanto ele estava cantando. A sessão foi interrompida porque as crianças estavam um pouco doentes e Michael, sendo um bom pai, queria prezar por seus filhos. Ele pediu desculpas e deixou o estúdio após um único teste.


Eu não havia ouvido a versão de Michael até que foi lançada anos depois (apesar de Walter saber que eu era um grande fã, ele respeitava a confidencialidade de MJ e nunca tocou a música para mim). Mas eu tinha lembrado da sensação e a magia da música desde a primeira vez que eu ouvi Robin Thicke do vocal e então, quando chegou a hora de eu gravar meu primeiro álbum solo, pedi a Walter para tentarmos escrever uma canção com a mesma energia. É assim que nós escrevemos Insatiable.

É surpreendente ouvir Michael Jackson na versão demo de Fall Again anos mais tarde e ser admirado com sua arte. Michael é a razão pela qual eu me tornei um artista. (Eu o vi na Bad Tour em 1987 e, desde então eu soube o que eu queria fazer para o resto da minha vida). Escutando seus álbuns aprendi a cantar. Me orgulho de ter muita inspiração dele no meu trabalho. E embora ele não esteja mais entre nós, eu gosto de pensar que a pequena faísca que acendeu em mim como um artista faz parte de seu legado.

Desculpem-me se este texto foi longo e eufórico, mas sei que muitos fãs do Michael são apreciadores desse tipo de história e eu sempre quis compartilhar isso. E hoje eu o fiz.

28 de maio de 2010

"Ele pegou na minha mão": os bastidores de 'Scream'


Publicado no 'The Venice Arts Club' em 6 de setembro de 2009

Tradução de Gleison Fernandes
Fonte: MJ HideOut



Talvez eu deveria ter contado anos atrás... tem sido o meu pequeno segredo por muito tempo, mas agora quebrarei o meu silêncio e tornarei público o fato de que Michael Jackson pegou minha mão...

O incidente teve lugar na Universal Studios durante as filmagens de seu vídeo, Scream, com Michael e sua irmã, Janet. Pouco antes de eu conhecer o Michael, enquanto trabalhava na fase de produção e os ensaios da turnê Dangerous.

Tanto Mark Romanek, diretor de Scream, e Tom Foden, designer de produção, são absolutamente perfeccionistas. Tem sido um prazer trabalhar com ambos em muitos projetos. No mundo do cinema, trabalhando com pessoas que possuem uma visão é significativamente melhor do que deixar de ser claro sobre o conceito. Neste trabalho em específico, eu trabalhava no departamento de arte dirigido por Tom Foden junto com outros membros do departamento incluído Dana Garman, Richard Berg, Jamie Vickers, Pietsch Paulie, Mark Brooks, para citar alguns.

O vídeo Scream pode ser o mais caro já feito na história, acho que o orçamento total de produção/pós-produção era algo como 8,3 milhões de dólares. E posso dizer que o orçamento para o departamento de arte teve uma grande fatia, quase a metade. Para o cenário foi necessario três naves completas da Universal Studios em Los Angeles, com mais de uma dúzia de cenários colocados nessas naves. Uma vez começou a gravação, meu papel era basicamente o "representante do departamento de arte", que teve que permanecer no set o tempo todo como "cara" do departamento de arte. Pela natureza do meu trabalho, tinha uma estreita interação com os talentos que havia no cenário.

O trabalho foi louco, sem dúvida. Três naves, mais de uma dezena de cenários, vinte dias de gravação.

Durante o primeiro dia de gravação recebemos uma chamada às 07h, era de se esperar que Michael aparecesse na parte da tarde. Depois de cabelo e maquiagem as 16h30 foram dado inicio as gravações. Ficou claro que nos iríamos gravar à noite nos próximos 20 dias. Também ficou claro que Michael gostava de fazer assim: trabalhar à noite.

Finalmente Michael fez a sua entrada e se reuniu com Mark que explicou a gravação. A primeira coisa que ele gravou com Michael foi quando ele dança sobre um dos solos brancos que se vê no vídeo. Michael encontrou sua posição, cerca de 2 metros da câmera, fez um par de tomadas, em seguida, logo mencionou que o piso (linóleo de vinil branco) escorregava. Eu fui com as minhas ferramentas, uma lixa de metal, um pedaço de pano e uma lata de spray com um "líquido especial" e esfreguei o chão um pouco com a lixa. Mark saiu de trás da câmera, olhou para o meu trabalho manual e chamou o Tom depois perguntou se tinha perdido o "brilho". Eu disse que não, que ao aplicar o spray especial voltaria brilhar novamente. Quando me levantei Michael olhou para mim, sorrindo: "Eu me lembro de você nos ensaios da turnê." Eu disse, "Sim", e perguntou como estavam os meus filhos, eu disse: "bem, são incríveis". E tudo voltou ao normal, Michael fez sua parte.

Como previsto, a chamada a equipe passou de sete horas para 16 horas e trabalhamos de 16h às 04h da manhã.

Nas últimas horas do último dia de filmagem, nos fomos ao cenário "zen". Esse foi o último dia, última cena, última sessão de gravação. O departamento de artístico havia dado os retoques finais para o cenário antes de Michael entrar para tomar seu lugar no pódio no centro do cenário 'zen'. Michael dirigiu a cena e disse o quanto tinha sido bom. Estava muito relaxado era óbvio que ele gostou de sentar no meio deste templo temporário.


Quando Mark pediu para quebrar o centro do teto, peguei uma escada de 12 degraus, subi e comecei a serrar. Em um momento infeliz quando estava serrando cortei o meu terceiro dedo esquerdo. Sem dizer nada, eu procurei um pano no bolso traseiro, enrolei meu dedo com ele, eu desci as escadas e sai do cenário. Passei ao lado de Tom ao sair e mostrei o que tinha acontecido. Tom me levou a uma extremidade da nave e sentamos no asfalto. No momento em que um monte de pessoas da equipe estavam ao meu redor. Um grupo de rapazes mascando chiclete as três horas da madrugada.

De repente, o círculo de pessoas abriu e Michael veio e parou um momento, se inclinou sobre mim, olhando para baixo. Ele percebeu minha mão esquerda e, em seguida, olhou para mim. Ele se ajoelhou ao meu lado e pegou minha mão direita e apertou com a sua. Ele olhou nos meus olhos e me disse o quanto ele sentia, não parava de dizer o quanto ele sentia, acabou com lágrimas nos olhos e me levou pela mão até a ambulância.

Na semana seguinte, recuperando-me em casa, chegaram presentes de Michael e Janet. Objetos de bom gosto como roupão, incensos, um cartão entre outras coisas.

Essa é a minha história: Michael Jackson pegou a minha mão. Michael, se você pode ler isso, obrigado pela sua preocupação.

22 de maio de 2010

Entrevista à Fox News: Michael Jackson e a Conspiração da Sony

Conduzida por Rita Cosby; traduzida por Bruno Fahning
Entrevista realizada pela Fox News, em 7 de julho de 2002.
Fonte: MJJForum



Rita Cosby: "E logo depois, a Fox terá uma entrevista exclusiva com o Rei do Pop. Por que Michael Jackson está explorando o cabeça maior de uma corporação? Ele nos dirá em uma rara entrevista. Fique ligado para Michael Jackson, que está vindo em breve".

Rita Cosby: "Alguns fogos-de-artifício hoje – atualmente Tommy Mottola é o cabeça da Sony Corporation. Cantor multiplatina, Michael Jackson está lutando contra a Sony e Tommy Mottola. A Sony é naturalmente a maior gravadora de nome. Em um discurso e reunião hoje com o reverendo Al Sharpton em Harlem, Gloved Wonder afirmou que a indústria recordista é uma conspiração racista que conseguiu lucros às custas de performistas. Em particular, a minoria dos artistas. O reverendo Al Sharpton formou recentemente uma coalizão para investigar se alguns artistas estão sendo financeiramente explorados. Diretamente depois do seu discurso, falei resumidamente com o Rei do Pop em uma rara entrevista televisionada".

Rita Cosby: "Michael, por que é importante para você estar aqui e o que você pensa sobre o auxílio do reverendo Sharpton?".

Michael Jackson: "Penso que é importante estar aqui, pois não estou lutando somente por mim estou lutando por todos os artistas. Grandes artistas explorados, você sabe, negócios do entretenimento bem como composição, bem como organização incrível, você sabe... O fato é que eles foram tomados pelo sistema. Totalmente os quebrou financeiramente, e isto têm que parar, a conspiração".

Rita Cosby: "Você disse lá fora que sentiu que a Sony foi racista".

Michael Jackson: "Eu não disse que a Sony foi racista, eu disse que Tommy Mottola é racista".

Rita Cosby: "O cabeça da Sony...".

Michael Jackson: "Sim, Tommy Mottola".

Rita Cosby: "Você sente que a indústria musical em conjunto foi usada para uma espécie de conspiração contra artistas negros... por que você pensa isso?".

Michael Jackson: "Porque penso isso? Porque o dinheiro é a raiz da maldade".

Rita Cosby: "Você também disse lá fora que acredita... que a Sony e as gravadoras tomam o dinheiro de artistas negros... ela levou James Brown e alguns outros artistas ao fim de suas carreiras e estão sem dinheiro".

Michael Jackson: "Sim...".

Rita Cosby: "Qual é a sua situação financeira?".

Michael Jackson: "Estou em uma situação financeira incrível. Já assinei a alguém um cheque de 500 milhões de dólares. Mas as boas notícias não vendem – se for algo negativo isto é um rumor, isto é... quando se está falido! Eles não esperam que a pessoa diga algo bom que você saiba".

Rita Cosby: "Bem, um dos seus sonhos é dirigir um filme...".

Michael Jackson: "Sim".

Rita Cosby: "Quais são algumas outras coisas que você quer fazer na sua carreira?".

Michael Jackson: "Uh...filmes... filmes. Criar filmes cinematográficos. Tenho um longa-metragem que sairá brevemente que estou dirigindo. Uh... você sabe, entretenimento".

Rita Cosby: "O que você pensa sobre o reverendo Al Sharpton e porque o seu auxílio é tão importante agora para você?".

Michael Jackson: "Ele é um orador incrível e ele é apoiado por uh... você sabe... o público e uh... Maravilhosamente ele entende que precisamos de uma palavra de paz. Uma voz para os mudos, você sabe... ele é, ele é o cara".

Rita Cosby: "Uma outra pergunta rápida... somente porque você estava em Nova York... uma das frustrações de 9 do 11 foi o álbum de caridade... quais são seus pensamentos sobre 9 do 11 quando você estava aqui em Nova York?".

Michael Jackson: "Eu odiei. Eu odiaria se fosse em qualquer outro lugar".

Rita Cosby: "É emocionante e muito interessante Michael Jackson. E com a ajuda do reverendo Al Sharpton ele está explorando o dirigente da corporação Sony, Tommy Mottola, como você ouviu não há nenhuma surpresa. A Sony Music Corporation se sentiu ultrajada pelos comentários de Jackson e rapidamente emanaram uma resposta onde alegam que as palavras do cantor foram "ridículas" e de "má fé", também afirmam que foram prejudicados e acharam grotesca a forma que Jackson decidiu lançar um ataque contra um executivo musical, quem patrocinou sua carreira por muitos, muitos anos".


Abaixo, o vídeo da entrevista:

12 de maio de 2010

Entrevista com Raymone Bain (ex-Porta-Voz)

traduzido por Lucas Bucchile
publicado pela Revista Sister2Sister em agosto de 2009



Entrevista com Raymone K. Bain
Porta-voz e empresária geral de Michael Jackson durante 2003 a 2009.


Uma reveladora, tocante, triste e feliz história sobre a intimidade do Rei do Pop durante os anos difíceis, desde seu julgamento por uma acusação de abuso sexual infantil até sua morte prematura.



Olá família S2S, eu tenho um atrativo especial para vocês nesta edição, embora seja algo que esperava não estar escrevendo porque a perda de Michael Jackson ainda está reverberando com tanta dor. Milhões ainda estão em luto, mas poucos tiveram a chance de conhecê-lo como minha amiga Raymone Bain, que foi sua publicitária e, mais tarde, empresária geral durante sete anos. Ela esteve com ele durante seus dias mais escuros - cinco meses de terror ao enfrentar a corte sob acusação de molestar um garoto. Ridicularizado e reverenciado. Desprezado. Adorado. Ele nos mostrou faces em mudança, não apenas em cor, mas também por realizações, enquanto a vida o mau tratava e, ao mesmo tempo, o tratava como um santo.

Nada era simples em relação a este homem. Ele era complexo, criativo, talentoso, tímido, astuto, rico, misterioso - foi exonerado na corte, mas muitos refutaram por deixá-lo em paz. Aquele julgamento o desgastou e ele fugiu por meses para o Bahrein, Irlanda e até mesmo Virgínia, finalmente retornando para a Califórnia, onde faleceu. Mas ele nunca retornou para sua amada Neverland, um lugar de conto de fadas que foi revistado e violado pela polícia, imprensa e público, tudo em nome dos julgamentos.

Eu estava com Raymone quando Michael a contratou pela primeira vez. Ela logo se dedicou a combater aqueles que odiaram o fato dela ter alcançado tal posição privilegiada com ele e aqueles que acreditavam que ele teve intimidade com garotinhos. Afinal, quem é essa mulher negra que Michael escolheu para ser sua porta-voz? Ele escolheu alguém que luta por seus clientes - alguém que o grande estrategista político Hamilton Jordan considerou extremamente leal. Ela é uma leoa. Ela lutou por Babyface, Serena Williams, o duas vezes prefeito de Washington Marion Barry, Boyz II Men e o campeão de boxe Macho Camacho. Você acreditaria que ela até venceu uma batalha com Don King, uma batalha que incluiu cadeiras e água sendo arremessadas pelo quarto?! Você acreditaria que ela trabalhou como parte da Casa Branca de Jimmy Carter quando estava em seus 20 anos? Ela se formou na Spelman College e teve sua licenciatura em Direito pela Georgetown University Smart.

Durante o julgamento de Michael, Raymone teve dias duros com os 3000 membros da imprensa de todo mundo, da qual todos queriam uma parte de Michael. Ao mesmo tempo, ela estava batalhando advogados, assistentes, alguns membros da família, etc., que simplesmente não a queriam por lá.

Enquanto nos preparávamos para esta entrevista, Raymone estava tremendamente triste. Pouco antes de seu amigo e chefe Michael Jackson falecer, ela teve que processá-lo porque ele não honrou alguns dos contratos que tinha com ela. Hoje, nós acreditamos que no fim nem tudo estava certo com ele, mas ela sente saudades. Eles eram como primos que brigam; próximos, com respeito mútuo. Raymone foi inclusive convidada a sentar com a família Jackson durante o memorial de Michael. Eu pude estar com ambos quando estive no Japão por cerca de seis dias. Agora, tenho o privilégio de dividir com vocês minha longa amizade com Raymone e uma impressionante dose de sua relação com Michael antes dele subir ao paraíso.

Vamos agora acompanhar Raymone dizendo a mim e à editora da S2S Sabrina Parker como tudo começou:

Raymone: Eu me lembro que fui até a Geórgia com Muhammad Ali e o levei para conhecer Jimmy Carter. Quando a reunião estava terminando, Jimmy Carter chamou minha atenção e disse: Você conhece Michael Jackson?! Eu adoraria trabalhar com ele. Ele está fazendo tanta coisa impressionante. Então eu voltei e telefonei para Bob Jones, que tornou isso possível. Então eles tiveram a conferência de imprensa e foi a Heal the World... tanto faz.

(Naqueles dias,) Eu não tinha exatamente alguma interação com Michael, mas nós tivemos esta história: Eu estava em vários conselhos e comissões; iríamos angariar fundos e sempre ligava para Bob Jones: Você pode me enviar um fedora? Pode me enviar alguém mais? Ele enviou e ajudou a levantar dinheiro para o Boarder Babies e todas essas caridades.

Sabrina: Quem era Bob Jones para Michael?

Raymone: Ele era, na época, seu publicitário. Isso foi há muitos anos. Então, em 2003, Oracene (a mãe de Venus e Serena Williams) disse que adoraria (conhecer Michael Jackson). Então alguém me disse para chamar Evvy Tavasci.

Sabrina: Quem era ela?

Raymone: Sua assistente executiva, na época. E então eu disse, Venus e Serena Williams adorariam conhecer Michael e eu quero fazer algo especial para elas. Posso trazê-las para conhecê-lo? E eu quero que seja surpresa. Ela disse, Michael adoraria conhecê-las. Ele as admira muito.

Então eu disse a elas que teria uma surpresa, mas eu tive que contar que surpresa era para (as irmãs de Venus e Serena) Isha, Yetunde e Lyndrea e (seus pais) Oracene e Richard.

Jamie: Todos eles foram?

Raymone: Yetunde e seus filhos, Lyndrea e Isha, foram. Então, eu tive que planejar tudo isso durante um torneio de tênis. Então Venus tinha uma conferência de imprensa no mesmo dia e nós decidimos fazer aquilo. E elas estavam me perguntando, Bem, para onde estamos indo? Eu não posso dizer!

Então estávamos na 405 seguindo para o norte. Então Serena diz, Espere só um minuto: estamos andando sem parar. E Venus diz, Onde estamos indo para a surpresa? Eu estarei surpresa - pode me falar.

Então Isha e todo mundo respondeu: Não podemos dizer. Foi muito bom ter parceiros no crime. Então rodamos e rodamos. Finalmente, Serena diz Escute, estou me cansando. Então ou paramos para que eu desça do carro ou damos meia-volta ou você vai me dizer para onde estamos indo. Então eu disse, Vamos comprar um cheeseburguer ou qualquer coisa. Então paramos por ali e pegamos alguma coisa no in-N-Out Burguer.

Finalmente, Serena diz, Você sabe do que? Já me cansei e vou parar. Você vai me dizer para onde estamos indo ou eu vou voltar. Para ser sincero, eles foram tão doces, porque a maioria das pessoas não estaria dirigindo por uma hora e dizendo, Por que estamos indo para cá?

Então eu disse, Eu sei que vocês querem conhecer Michael Jackson. O que? Não me diga que é pra lá que estamos indo! Não me diga! Então acho que paramos por algum lugar e compramos um CD do Michael Jackson. Nós ou arrumávamos um CD ou não teríamos nenhum, mas elas cantaram músicas de Michael Jackson por todo o caminho até Los Olivos.

Então chegamos lá e entramos. Ele sai, e Serena literalmente tem que se encostar nos meus ombros.

Jamie:
(rindo) Com a altura dela!

Raymone: E Venus! Ele sai e diz oi. Eu acho que ninguém além de mim disse oi. Acho que belisquei Serena e ela disse oi. Então ele nos tomou pessoalmente em uma tour por tudo. Demos uma volta e ele arrumou um jantar maravilhoso para nós. Serena e eu fomos as que mais falamos; todos estavam mais quietos.

Os filhos de Yetunde estavam lá e brincaram com Prince e Paris. Blanket só tinha cerca de 4 ou 5 meses na época. Nós conhecemos Grace (antiga babá dos filhos de Michael), que é maravilhosa, elegante e bem educada - incrível.

Então Michael falava enquanto nos levava para passear. E todo o resto estava só quieto, mas Serena e eu nos livramos de nossa timidez porque falamos bastante. Só ficamos papeando, papeando, papeando.

Então Serena disse, Não estou vendo nenhuma luva ou jaqueta. Eu disse, Nem eu. Então ela diz, Bem, você acha que seria deselegante perguntar para ele? E eu disse, Agora que a gente já está aqui dentro de Neverland, acho que não tem problema. Ela diz, Bem, vai perguntar pra ele? Eu disse, Não, você pergunta. Agora todo mundo está quieto, não sabem que nós duas estamos tramando.

Então Michael diz, O que? Serena e eu ficamos só rindo e cochichando. Então Michael diz, O que foi? Então nós dissemos, Escute, não estamos vendo muitos de seus prêmios, jaquetas ou luvas por aí. Gostaríamos de ver. Serena pergunta, Por que você não deixa eles por aqui? E ele diz, Bem, eu não quero que minhas crianças se envolvam no que eu sou e no que eu faço. Isso imediatamente me atingiu de um jeito fantástico.

E elas são crianças fabulosas. Então ele diz, Oh, vocês gostariam de ver? O que vocês querem ver? Bem, as jaquetas, as luvas, os sapatos, os chapéus, os prêmios.

Então ele nos levou para seu quarto e então para o closet. E Serena e eu provamos, eu acho, todas as jaquetas no closet. Estávamos, Oh não, tudo bem? E ele disse, Vai em frente, pode sim.

Jamie: E ele dançava nelas.

Raymone: Nós perguntamos a ele, Como, afinal, você consegue fazer o moonwalk como se estivesse no ar em uma jaqueta que pesa tanto assim? Ele começou a rir e disse, Bem, você sabe. Eu ensaio, e você se acostuma.

Nós estávamos satisfeitas. Provamos todas as jaquetas de Michael Jackson! Quero dizer cada uma delas, eu acho, que provamos. Parecíamos crianças em uma loja de doces. E ele era tão gentil e as criancinhas tão gentis. Prince nos levou para seu quarto e nos mostrou seus brinquedos e as coisas de que ele gostava.

Então, logo em seguida, Grace tomou Serena e eu e disse: o Sr. Jackson está esperando por vocês lá fora. E nós dissemos, De verdade?

Então saímos lá fora, aqui está um bonito Rolls-Royce. Era azul marinho com um topo bege; eu nunca vou esquecer. Era maravilhoso e eu nunca tinha andado em um Rolls-Royce antes.

Então Michael vai para o volante! Serena olha pra mim e eu olho pra ela, e Michael diz, Venham, quero que vocês duas entrem. Então Serena sussurra, Raymone, ele sabe dirigir? Eu nunca vi ele dirigindo. Para onde estamos indo? Está bastante escuro aqui. Então ele disse, O que? Ele achou nós duas engraçadas porque não parávamos com cochichos e risadinhas.

E então perguntamos a ele, Bem, para onde estamos indo? Ele disse, Ah, eu tenho algo a mostrar para vocês. Então Serena estava olhando para mim e eu estava olhando para ela e ele diz, Entrem, entrem! O que? O que há de errado?

Então nós dissemos, Você sabe dirigir? Ele diz, É, eu sei. Serena diz: Espere aí, tem certeza que sabe? Porque eu já peguei o jornal e li um monte de coisas, mas nunca li onde as pessoas dizem que Michael Jackson estava dirigindo pela Sunset Boulevard.

Ele começou a rir e disse, Venham, eu sei dirigir, eu sei dirigir. Então estava escuro e a estrada dobrava e virava, mas ainda estávamos na propriedade. As irmãs de Serena estavam nos outros carros, mas foi só por essa afinidade que fomos as mais faladoras e mais curiosas. Todos os outros estavam agindo do modo como deviam, mas não nós duas. Nós provamos todas as jaquetas e olhamos em todos os quartos.

Então ele nos leva para essa casa na propriedade e é lá onde todos os prêmios estão. Da vida toda, Prêmios da MTV -

Jamie: Era a casa de filmes?

Raymone: Não, uh-huh. Era diferente. É, ele tinha o parque de diversão, o zoológico, o teatro, e então essa outra casa que tinha todas as luvas. Estavam em um estojo de vidro com o aviso não toque, não toque. E a gente ficava, Podemos experimentar uma? Então ele disse, Sim, claro. E quero dizer que ele foi o mais maravilhoso anfitrião e a mais maravilhosa pessoa. Serena e eu ficávamos, Olha, olha, está vendo? Não está escuro aqui?! E ele estava rindo. Então nós vimos todos os prêmios e provamos as luvas.

Então ele nos levou de volta. Pessoalmente, você sabe, no seu carro. E então voltamos para a casa e olhamos para o relógio e, você sabe, Serena estava em um torneio. Então ele disse, Vocês querem passar a noite? E realmente pensamos sobre isso. Eram 3 da manhã. Nós chegamos lá de tarde e ele foi tão acolhedor e cortês para nós e eles foram tão gentis. Nós tiramos fotos e Serena e eu dissemos, Bem, nós ainda teremos elas de volta? E ele disse, Eles vão processá-las aqui mesmo. Podemos esperar? Sim, você pode processar as fotos logo ali. Eu nunca tinha visto aquilo antes porque isso foi em 2003. E Grace foi tão gentil; ela disse, Bom, se vocês querem, eu lhes dou as fotos, tudo bem?

Então ele nos levou de volta e disse, Está tão tarde. Vocês todas querem passar a noite? Bem, eu e Serena, nós quase nos sentimos obrigadas a aceitar.

Pouco nós sabíamos: Ele foi um anfitrião tão gentil e maravilhoso, Serena me ligou na manhã seguinte, e disse, Raymone, ligue na CNN! Michael está indo para a corte. Eu me sinto tão mal! Nós o deixamos acordado a noite toda e ele está indo para a corte.

Jamie:
Oh, não.

Raymone:
Isso foi quando colocaram aquela foto horrorosa dele na primeira página do jornal. E Serena disse, "Esse não é o Michael Jackson que vimos noite passada, é? Eu disse, Uh-uh. Não é. O Michael Jackson que vimos era muito bonito. Eu disse, É, provavelmente é um disfarce porque este não é o Michael Jackson que vimos em sua casa.

Jamie: Este é o primeiro caso na justiça?

Raymone: Com Marcel Avram, eu acredito, o promotor que estava o processando.

Então os chamei e os agradeci no dia seguinte, e foram todos tão maravilhosos - Evvy, Grace, e Michael, as crianças - eles foram tão gentis e maravilhosos conosco.

Então Grace e eu mantivemos contato. Ele saiu do país - e então houve o caso do bebê pendurado. E ele sabia o que faço porque me perguntou, Bem, o que é que você faz? E eu disse, Eu trabalhei para Babyface e ele tem estado no estúdio com você. E eu estava lá na Coréia com você em 1998 com Boyz II Men.

E então lá estava Serena e eu, e fizemos ele rir a noite toda. Quer dizer, não saíamos pra fazer de propósito mas a propriedade era tão fantástica. Tudo era tão bem cuidado e inspirador. Ele era inspirador. E ver todas aquelas fotos - Eu lembro de ter visto uma foto de Bill Clinton segurando Prince na sua mão - ele era tão pequeno - e ele tinha a foto na parede.

E ele tinha fotografias de membros da família escondidos nelas e dizia para Serena e eu, Aposto que vocês não acham Janet nessa foto. E nós sentávamos lá procurando, escolhíamos alguém que não era Janet e ele começava a rir e então escolhíamos alguém mais e ele dizia, Bom, vocês não conseguem achar. E nós dizíamos, Ah, não, nós vamos achar! Espere só um minuto.

Nós continuamos a nos comunicar, você sabe. Então logo após aquilo, me perguntaram minha opinião sobre o que eu faria, e na época ele tinha tantos publicitários.

Jamie: Foi ele que perguntou, ou foi a Grace?

Raymone:
É, ele pediu para a Grace me ligar e perguntar. E então aconteceu o horrível mandato de prisão.

Jamie: Que mandato foi esse?

Raymone: Quando ele foi acusado.

Jamie: Por aquilo?

Raymone:
É, abuso de menores. Pouco depois disso me perguntaram se eu consideraria vir e agir como sua publicitária/ porta-voz.

Jamie: O que você achou?

Raymone:
Eu chamei todo mundo e gritei! Eu disse, Adivinhem o que?! Quer dizer, eu não pude acreditar. Eu voei para lá, e foi quando fiquei por lá por cerca de 16 semanas.

Jamie: Como foi isso? Não foi a coisa mais fácil. Ele tinha, sim, um monte de advogados, e o que você teve de lidar por lá?

Raymone:
Eu tive de lidar com tanta coisa. Coisas do tipo, de onde ela veio? Quem é ela? E então havia alguns publicitários que foram deixados porque ele sentiu que precisava de uma só voz. Um de meus primeiros atos foi enviar em seu nome cartas de cessação e desistência dizendo para ficarem quietos porque, como é o caso agora, há pessoas que ele não via há anos, não conversava, não gostava, não queria que falassem em seu nome e que não tinha conversado há tantos anos que de qualquer forma não saberiam o que dizer.

Foi um circo. E foi logo antes dele ter que se apresentar à corte. Ele disse, Eu não gosto disso. Simplesmente não sou eu. E, uma das coisas que estimo bastante agora, e o que me separou, eu acho, dos outros publicitários e talvez empresários, os empresários gerais - eu acho que fui sua primeira empresária geral - foi o acesso incondicional que tinha para com ele. Você tem que ter acesso à pessoa que está representando para criar oportunidades, para perseguir as oportunidades e para completá-las com sucesso.

Jamie: Eu estava lá no quarto com você. Havia vários advogados e pessoas que estavam tentando tirar você de lá.

Raymone: E isso foi o que aconteceu (quando eu estava trabalhando) com boxe. Eles brigam com você, mas no fim vocês acabam gostando um do outro. Mas foi assim; quem é essa estranha? Não é mais tanto agora, mas foi o caso ao longo dos anos. Eu tive tantas experiências agora, tanto aqui nos EUA, e internacionalmente, que não sou mais uma estranha. Eu já fui bem analisada e regurgitada.

Jamie: Eu notei como pessoas como C. Dolores Tucker, Bill Clinton, Martin Luther King, Jesse Jackson - pessoas de destaque que foram bombardeadas com coisas negativas - elas são capazes de compartimentalizar isso, se manter na ativa e seguir adiante.

Raymone: Bem, como Michael durante o julgamento. Foi quase como ele estivesse vivendo duas vidas. Ele não quis que suas crianças fossem afetadas por aquilo. Nós passamos por muito estresse - só o estresse de levantar toda manhã para estar na corte às 8:30. Então quando ele saía de lá todo dia, deixava para trás toda a bagagem e todo o estresse do julgamento e se tornava o Papai; cuidando de sua tarefa de casa, levando-os para comprar sorvete, levando-os para o cinema - apenas dando a eles um tempo de paz. Ele deixava o estresse e o desgaste e a preocupação e os problemas na porta. Ele entrava e fazia parecer que estava tudo bem quando realmente não estava. Sua vida estava por um fio. Eu ainda não sei como ele foi capaz de fazer aquilo.

Jamie: O que vocês todos disseram?

Raymone:
Então depois das crianças irem para a cama, ele ligava para mim e os advogados. Ele tinha encontros tarde da noite com seus contabilistas e conselheiros. Então me ligava às 2 ou 3:00 da manhã, talvez às 4, então ia pra cama e acordava para vir à corte. E isso foi todo dia por meses. Mas uma das coisas que eu disse para todos é, as pessoas olham para os recordes de Michael - quase um bilhão de álbuns vendidos mundialmente, 140 milhões de cópias de Thriller, $300 milhões doados a caridades - como seu legado. Mas seu verdadeiro legado será suas crianças. Elas vão ser o seu maior legado.

Jamie: Por que você diz isso?

Raymone:
Porque ele fez um grande trabalho como pai. Eles têm valores, são corteses e são gentis.


(Parte 2)

Jamie: Se lembra de quando estávamos na Disney no Japão e ele achou que as crianças tinham sido rudes comigo? Porque elas estavam me mostrando a propaganda viva bastante e prospere da Jornada nas Estrelas. Eu disse algo como, Eles fizeram melhor do que eu e ele achou que elas estavam sendo rudes. Então ele disse Oh, me desculpe; por isso que não gosto de andar com estranhos porque eu não sei como as crianças vão ficar.

Mas ele era muito, muito cortês. Ele estava em um carro, nós estávamos no outro carro, e foi quando eu vi o quanto as pessoas eram loucas por esse homem - que elas corriam por rodovias, por ruas, por carros, por ônibus, por tudo para tocar a van, tocar sua mão, para vê-lo. Raymone, se lembra que tínhamos de ser cuidadosos dirigindo as vans quando fomos para a Disney? Eu nunca vi algo como aquilo.

Raymone: Oh, eu quase fui morta em Londres. O impacto dos fãs foi tão grande que eu quase fui jogada na rua. Quer dizer, não deliberadamente, mas é desse jeito quando você viaja com ele. Mas eu estava falando sobre as crianças e como ele era capaz de compartimentalizar aquilo, e eu ainda não sei até hoje.

Jamie: Como estava a mãe durante os dias quando ia para o tribunal, porque ela é forte também.

Raymone: Ela é muito forte. E extremamente gentil. Eu costumava dizer a ela o tempo todo quando conversávamos por telefone, Você e o Michael são tão parecidos! Vocês têm os mesmos valores e vocês têm aquele mesmo calor. Eles podem fazer você se sentir muito confortável. E eu volto para quando Serena e a família e eu estávamos lá em Neverland, como nos sentimos confortáveis. Há pessoas que têm diferentes experiências com ele, mas eu não fui uma delas. Ele nunca foi muito frio para mim. Agora, quando eu comecei a trabalhar para ele como empresária geral, ele podia ser muito exigente porque sabia aonde queria ir e o que queria fazer. As pessoas têm uma concepção errada de Michael Jackson. Elas acham que ele estava somente sentado em um quarto escuro, eu acho, em um cantinho. Eu não sei como tiveram essa impressão. Acho que lendo ou algo assim. Ele é brilhante - muito esperto.

Jamie: E você costumar também discutir com ele.

Raymone: Sim, nós discutíamos! Ele dizia, Raymone Bain. Qualquer outra hora ele diria Raymone, mas quando estava nervoso com alguma coisa ele dizia Raymone Bain. Eu sabia; quando ele dizia Raymone Bain... Ah poxa. Escute, eu ouço toda esta besteira sobre ele gostar de pessoas que não discutem. Isso não é verdade. Michael Jackson adora que pessoas engajem-se em diálogos - que discutam. E quando monto o time eu coloco pessoas de mente muito independentes juntas.

Jamie:Como você escolheu o time dele?

Raymone: Baseada na reputação deles - e no meu conhecimento sobre eles.

Jamie: Quando você se tornou sua empresária geral?

Raymone: Em maio de 2006.

Jamie: Isso foi depois do julgamento ter acabado?

Raymone: Sim, mm-hmm. Quando os julgamentos acabaram ele foi para o Bahrein. Ele conheceu o Príncipe Abdulla, acho que através de (seu irmão) Jermaine, e eles tiveram muito diálogo durante o julgamento. Então Príncipe Abdulla disse a ele quando foi absolvido que queria que ele viesse. E Príncipe Abdulla dizia o tempo todo sobre relaxamento, restauração e descanso. Ele costumava dizer estes três R's o tempo todo. Eu só quero que meu irmão venha para descansar e relaxar e se recuperar.

Jamie: Mas você foi demitida porque isso aconteceu, não foi?

Raymone: Bem, eu na verdade não fui demitida porque as pessoas que me demitiram não tinham a autoridade para fazer isso. Eu tive um contrato assinado somente por Michael Jackson e o contrato dizia que somente Michael Jackson podia me despedir.

Jamie: Então o que aconteceu?

Raymone: Foi somente controle e pessoas não concordando sobre certas coisas. Algumas vezes quando você não concorda com as pessoas elas tentam fazer coisas para colocá-lo no seu lugar. Então isso aconteceu comigo em uma sexta-feira, 10 de junho. A imprensa toda saiu devido ao fim de semana. Nós tínhamos 3000 membros ou mais por dia cobrindo o julgamento e todos deixaram o lugar pensando que o veredicto não sairia por mais uma semana. Então eu decidi, Tudo bem, eu vou para Washington e deixarei a poeira baixar.

Sabrina: Quem despediu você?

Raymone: Randy Jackson me enviou a carta. Então eu disse deixe-me voltar para Washington, relaxar e voltar. Porque eu não desisto assim. Mas eu escolhi o fim de semana errado para voltar para casa porque vejam só, no dia 13, naquela manhã eu recebi um telefonema de Michael dizendo que não sabia o que aconteceu e que ele precisava que eu voltasse. Eu estava me organizando pra voltar quando ele me ligou de volta para dizer que telefonaram dizendo que o veredicto estava a caminho.

Jamie: Só que você não tinha me chamado naquela vez para vir?

Raymone: É, eu disse, Jamie, eu acabei de falar com Michael! Ele está a caminho da corte! E você disse, Oh, estou indo para aí.

Eu não consegui voltar lá. Era a Califórnia e não havia como ser possível voltar lá. Então, você sabe, estava no mundo todo que eu fui despedida. Houve uma ou duas pessoas que não acreditaram. Eu fiz o programa do Anderson Cooper aquela noite; ele não estava acreditando e me deixou por perto.

Pouco depois de então, Michael e Grace comunicaram-se do Bahrein e ele me disse alguma das coisas que queria fazer. Eu comecei a organizá-las e nossa primeira viagem foi para o Japão.

Jamie: Você nunca foi para o Bahrein?

Raymone: Eu estava indo para o Bahrein, mas então eles decidiram que todos se encontrariam em Londres. Que era, você sabe, metade do caminho.

Jamie: Foi então quando Michael lhe nomeou empresária geral?

Raymone: Isso foi depois - maio de 2006. Mas durante aquela época nós estávamos trabalhando em (algo para vítimas do Furacão) Katrina e algumas outras coisas.

Jamie: Então, Michael também passou por muita coisa naqueles dias, muito embora ele tenha sido exonerado. Primeiro de tudo, eu vi sua expressão quando disseram que ele era inocente de tudo. Você estava tão feliz.

Raymone: Mas eu sabia! Eu sempre dizia toda noite, Ele é inocente. Você sabe, converse com um homem o tanto que eu conversei e você vê o seu caráter e o seu ser. Ele era simplesmente incapaz de molestar aquelas crianças. Eu sabia que ele não fez isso.

Jamie: O que me incomodou tanto sobre isso é que ele fez tanto por tantos, mas o chamavam de Wacko Jacko. Perseguiam ele.

Raymone: Foi horrível. Os mesmos que fizeram isso estão agora chamando-o de Rei do Pop. Eu tentei por sete anos fazer com que dissessem isso, é como se na sua morte ele fosse reconhecido, mas teria sido bom se alguns deles tivessem sido um pouco mais gentis.

Eu me lembro que há muitos anos houve um repórter que chamei porque tudo que escrevia era indecente e ele era tão desrespeitoso. Então eu o chamei e disse: Escute, Michael Jackson jamais foi desrespeitoso com você? Ele disse, Não. Bem, Michael Jackson jamais o bofeteou ou cuspiu no seu rosto? Ele disse, Não. Ele diz, Eu entendo o que quer dizer. Eu disse, Okay, isso é tudo que preciso lhe perguntar pois eu só queria saber porque você é tão antipático e cínico quando trata dele? E ele disse, Entendi o que quer dizer.

Jamie: Raymone, você deve ter tido conversas como essa o tempo todo.

Raymone: E eu não tinha nenhum problema com isso porque eu queria fazer, por que eram tão maus com ele?

Jamie: Nos diga como você foi capaz de fazer a imprensa parar de colocar todas essas pessoas no ar.

Raymone: Bem, ele assinou cartas. Ele enviou notas de desistência para eles. E eu aconselhei a imprensa, Não, ele não os conhece e ele não conversou com eles em anos. Eles não são porta-vozes respeitáveis. Você quer pessoas que tenham alguma idéia de quem ele é.

Jamie: Por que a imprensa se importaria com o que você diz? Foi porque você não daria para eles acesso a ele mais tarde ou o que?

Raymone: Bem, isso, e também descobri que, no final das contas, a imprensa quer pessoas que são conhecedoras. Eles querem mesmo. Eles não querem qualquer mentiroso na televisão porque quando você põe alguém na TV que não conhece os fatos, no fim eles vão aparecer.

Jamie: Houve tanta conversa sobre Michael não ser capaz de dormir. Eu lembro que ele disse a você quando começou a trabalhar com ele, Agora eu posso dormir.

Raymone: É, ele disse, Agora serei capaz de dormir de novo. Você sabe, ele se preocupava com certas coisas. Agora, eu não sei se devo tomar isso literalmente ou o que, mas estava honrada que ele estava confiando em mim para ajustar as coisas.

Jamie: Você estava com Michael até apenas alguns meses. Este tal Dr. Tohme estava envolvido com Michael. Quem era ele?

Raymone: Bem, ele disse que era um médico, e eu descobri que ele não é.

Jamie: E quanto àquela enfermeira? (Aquela que apareceu na TV e disse que Michael pediu remédios à ela para poder dormir.) Você sabia alguma coisa sobre ela antes?

Raymone: Eu nunca ouvi falar dela.

Jamie: Então todas essas pessoas chegaram nos últimos seis meses ou por aí?

Raymone: É, ele nunca teve nenhuma enfermeira particular ou todos estes médicos, ou médicos particulares. Eu não acredito que Michael convidou um médico para morar em sua casa. Este simplesmente não é o Michael Jackson que eu conheço.

Jamie: Então quando você estava tratando dele, nenhum desses tipos de pessoas existiu? Ele estava cuidando de si próprio, suas crianças...

Raymone: E ele estava realmente saudável, não estava? E ele não tinha (contas médicas) exorbitantes. Você sabe, eu tive que aprovar contas médicas, mas eram do passado. Muitas de suas contas não tinham sido cuidadas.

Jamie: Por que isso? Seus contratados só deixavam as contas acumularem?

Raymone: Eu não sei por quê.

Jamie: Ele estava (perto de Washington) vivendo em uma casa de fazenda (por um tempo).

Raymone: Ele estava, por seis meses em Middleburg, Virginia. Ele estava em, como era, um estado de 300 acres?

Jamie: E então você o manteve aqui em Washington naquela embaixada.

Raymone: Isso foi em 2004. Era a Embaixada Etíope. Ele estava honrado. E então ele estava na casa de (BET CEO) Debra Lee. Ele recebeu um prêmio dela em uma recepção comemorando sua filantropia. E estivemos em Vegas e no Japão e em Londres e pelo mundo todo, e ele não estava doente.

Jamie: Você me convidou para ir com ele para o Japão, e ele comeu. (risos)

Raymone: Ele comeu. As pessoas dizem que ele não come, mas ele comeu. Você viu ele comer.

Jamie: É, nós tivemos aquele grande jantar na Disney World do Japão.

Raymone: Ele nos dizia o que pedir todo dia e comia. (risos)

Jamie: O que ele gostava de comer?

Raymone: Uma das razões porque ele não ganhou muito peso - quando ele estava aqui, eu acho que tinha 63 quilos, 65, porque ele tinha cerca de 1,82 m de altura.

Jamie: Ele tinha 1,82 m de altura?

Raymone: É, ele tinha por aí. Quase isso. De todo modo, ele pedia frango grelhado, arroz integral...

Jamie: Mas ele não gostava de Frango Frito Kentucky?

Raymone: Sim, muito! Mas ele gostava de peru e molho de mirtilo e batatas doces e inhame. E ele gostava de macarrão & queijo e purê de batas e molho. E era engraçado porque preparávamos um menu (risos) para as crianças e outro pra ele, certo? Nós tínhamos nuggets e cachorros quentes e cheeseburgers e batatas fritas. E Michael ficava, Raymone, isso é um monte de tranqueira. Pizza? Ele disse, Eu não me importo com as crianças comerem um pouco disso de vez em quando, mas você coloca no menu todo dia. Eu disse que estava pensando que eram crianças. E ele disse, Não, não. Ele nunca quis machucar meus sentimentos, então, ele sempre amenizava as coisas: Bem, sabe do que? A gente pode deixar uma ou duas dessas coisas no menu, mas eu quero que tenha frango grelhado e o peru. E eu sempre saía durante os julgamentos e levava estes grandes... Blanket era meu favorito.

Jamie: Me conte sobre como Blanket e os outros brincavam com Michael. Se lembra, ele falava para eles não fazerem algo e eles faziam do mesmo jeito?

Raymone: Eu nunca vou esquecer. Blanket tinha sua própria independência. E Michael e eu conversávamos o tempo todo. Ele dizia, Eu mal posso esperar para ver o que ele fará quando ficar mais velho. E ele disse para mim, Oh puxa, ele às vezes é tão difícil. Eu disse, Ele vai ser um político. Eu continuava a dizer ao Michael o tempo todo. Eu disse, Ele vai se candidatar, porque ele tem essa independência. Eu adorava Blanket. Quando conversava com Michael eu dizia, Posso falar com Blanket? E você lembra, estávamos no Japão e íamos sair, mas Blanket não quis ir. Então Michael continuava a dizer: Você tem que se vestir. Ele continuava a dizer, Não, uh-uh, eu não quero ir. Então Michael diz, Bom, você tem que ir. Blanket disse, Eu não quero ir. Então Blanket se escondeu no closet, eu disse, Onde está Blanket? Michael disse, Ele está no closet. Eu abri o closet e Blanket disse, Bom, eu disse a ele que não quero ir.

Mas eles eram tããão maravilhosos. E Paris é bonita. Eu sempre disse a Michael que Paris iria ser uma modelo. Ele não comentou.


(Parte 3)

Jamie: Como você se sentiu quando ouviu que Michael faleceu? Como você ouviu?

Raymone: Eu não acreditei. Eu não acreditei porque minha mãe estava no hospital, em tratamento intensivo. E meu celular estava tocando tanto até uma chamada chegar antes da outra terminar de tocar. Elas chegavam por volta de 40 por minuto, então eu liguei para o escritório, perguntando, O que está acontecendo? E Gladys diz, Raymone, estão chamando para confirmar se Michael teve parada cardíaca. E eu disse, Estou tão cansada disso. Toda hora que ele se prepara para fazer algo grande, há um rumor. Então eu falei com (você) Jamie e você disse; Bem, eu ouvi que ele morreu. Eu disse, Eles aparecem com todos estes rumores o tempo todo. Quantas vezes eu tive que refutar esse rumor? Tipo, pelo menos quatro vezes durante quando trabalhei para ele. Então recebi uma chamada de LA de alguém do nosso meio dizendo que ele tinha falecido. Eu não pude acreditar. Estava completamente devastada.

Jamie: Porque foi bem como perder um membro da famíla.

Raymone: É, foi. Foi sim.

Jamie: Mas você e Michael não estavam juntos naquela época porque teve que processá-lo - porque você teve que juntar todos os seus acordos. Me fale sobre estes acordos.

Raymone: Bem, não tinha ninguém mais fora nós. Para todas aquelas pessoas dizerem que contribuíram trazendo acordos, quero dizer, de onde? Onde vocês estavam? Vocês nem estavam por perto. Como puderam contribuir trazendo acordos e não estar em nenhum lugar por perto? O CD do vigésimo quinto aniversário, o refinanciamento da Sony-ATV, o acordo com AEG. AEG esteve negociando começando ainda quando Michael e eu e os outros aqui no time começamos a nos encontrar ainda em janeiro de 2007, - E eu estou ouvindo tudo isso. Mas seus novos conselheiros o alienaram.

Jamie: Ele parou de se comunicar com todos os seus contratados?

Raymone: Eu só acho que ele foi alienado. E veio à tona que ele não tinha telefone em sua casa.

Jamie: Sua mãe não conseguiu falar com ele uma vez, certo?

Raymone: Não. Estas pessoas estavam o alienando e eu tentei tudo que podia para falar com ele. Eu tentei tudo exceto pular o portão, e tem vezes que gostaria de ter pulado.

Jamie: Por que você sabia que algo estava errado?

Raymone: Eu sabia. Eu sabia que algo estava errado porque Michael Jackson ligaria. Pode demorar, mas ele liga. E mesmo se ele não concordasse comigo, ele me avisaria. Quero dizer, você sabe, não tínhamos conversas de beijinhos e abracinhos. Quero dizer, eu estava controlando a organização, então discordávamos de um bom tanto de coisas. Mas, você sabe, ele podia gritar comigo e o que mais, mas ele sempre era gentil o bastante para ligar de volta. Ele não diria eu sinto muito, por exemplo, mas ele mudava o assunto. Bem então, o que vamos fazer? Agora o que você diz? Você sabe, algo desse tipo.

Jamie: Então a mãe de Michael estava realmente com medo?

Raymone: Nós todos estávamos, desde outubro do ano passado.Eu enviava textos, ligava. Toda vez que conseguia um número de telefone, ele mudava.

Jamie: Por que você tinha essa preocupação?

Raymone: Eu vi esse padrão de comportamento que não era dele.

Jamie: Isso foi especialmente desde que sua mãe não pode contatá-lo?

Raymone: Não era o que eu estava acostumada. Eu via equipes de longa data sendo encerradas. Todas aquelas pessoas que podiam saber se algo estava errado e chegar a outras pessoas como a família, antigos colegas e conselheiros - agora não havia ninguém. O Michael Jackson que conheci falava ao telefone, conduzia reuniões, ele era alerta e agressivo. Ele sabia onde queria ir e o que ele queria fazer, realmente sabia. E eu acho que a imprensa não acreditou em mim quando eu dizia isso. Mas eu arranjei tantas reuniões para ele e todos voltavam dizendo, Caramba, ele é tão esperto. Ele fala tanto. Ele é tão gentil. Ele é tão cuidadoso.

Jamie: Então ele queria aquela tour, Raymone? Porque você foi uma das pessoas que a arranjaram.

Raymone: Ao longo de todo o tempo que comecei a falar com ele, mesmo antes de ser contratada, ele sempre falava sobre superar os obstáculos e fazer o que ele fazia de melhor. Há toda uma geração de pessoas aqui que não tem o benefício (de ter visto ele se apresentando) e ele sabia disso. E ele quis voltar pra cá e fazer o que ele faz de melhor. Ele ama se apresentar, mas tinha que ser nos seus termos. Porque ele dizia pra mim o tempo, Eu tenho estado por aqui desde que tinha 6 anos e eu não tenho que fazer a tour só por fazer. Isso não sou eu. Eu quero um evento. Eu quero, como Bamum & Balley, eu quero que as pessoas venham e experimentem algo fora do comum. Michael Jackson era um influenciador de tendências. O que ele vestiu ainda está na moda, e empresas de design ainda estão lançando coisas que se parecem com o que ele usou há 15, 20 anos.

Jamie: Raymone, como as pessoas o travavam depois que ele foi exonerado? Quero dizer, você me fazia chegar para algumas estrelas apenas para fazê-las ligar durante o julgamento.

Raymone: E elas não o faziam.

Jamie: Então depois ele ainda tinha contato com várias pessoas.

Raymone: É, ele queria que participassem do seu álbum de ajuda (ao Furacão) Katrina e eles não aceitavam. Por uma razão qualquer, não aceitavam.

Jamie: Como ele se sentiu quanto a isso?

Raymone: Ele só seguiu em frente. Mesmo se quisessem ajudar ou não.

Jamie: Ele devia ter sofrido tanto, você sabe, com o jeito que as pessoas o trataram e falaram dele.

Raymone: O que lhe causou dor foi que ele não queria que as pessoas pensassem que ele era um molestador de crianças. Ele jamais poderia machucar uma criança. E aquilo foi uma horrível época e experiência que passamos lá em Santa Maria. As pessoas na cidade eram maravilhosas para nós, mas, quero dizer, a imprensa mundial estava lá e havia tantos deles, tantos com quem eu lutava na TV toda noite. E enquanto ele era absolvido, resultados de enquete mostram que, baseados no que ouviram na mídia, a maioria do público americano pensou que ele era culpado. É preciso muito esforço para mudar a opinião das pessoas. Isso foi o que mais o machucou. Eu acho que com sua música e sua reaparição, as pessoas teriam pensado menos sobre isso. E eu tinha visto uma diferença porque, não importa o que escreviam sobre Michael Jackson - podia ser Michael Jackson deu $1 bilhão, seria Michael Jackson, que foi acusado de molestamento de crianças e absolvido... Eles sempre falariam isso. Era sempre Michael Jackson 'vírgula' acusado de molestamento de crianças e absolvido em 2005.

Eu vi isso mudando gradualmente nos últimos anos. E particularmente depois da foto de capa da revista Ebony, que ele fez em 2007, e a revista L'uomo Vogue. Eu vi que ele estava transcendendo aquilo. ... Mas veja, uma das razões pelas quais eu acho que as pessoas eram tão duras com Michael foi porque ele não interagiu com elas. E eu disse, Poxa, esse é um dos meus objetivos, fazer ele mais acessível, e ele foi. Ele conduziu muitas reuniões, ele saiu para jantar, ele jantou com (Roberto) Cavalli e tantas pessoas - e reuniões de almoço e reuniões de jantar. Ele saiu. Veja, as pessoas têm muitas idéias erradas, e elas não podem apagar as idéias erradas se elas não têm interações. As pessoas acreditam no que lêem porque se elas não podem lhe tocar ou lhe sentir, então elas não tem nada com que comparar. Ele se tornou mais acessível. Eu não sei porque ele não era tanto no ano passado. Eu só me lembro dele uma vez publicamente, e isso foi (no) Planet Hollywood.

Jamie: Foi uma decisão difícil para você processá-lo?

Raymone: Ah, cortou o coração. Como disse em meu testamento, eu não queria fazer isso, mas foi uma decisão de negócios.

Jamie: O que foi que ele devia a você?

Raymone: A porcentagem dos vários acordos com que contribuí.

Jamie: Ele não pagou algumas das pessoas que trabalharam nos acordos?

Raymone: Bem, eu sei que alguns foram pagos e algumas das pessoas erradas foram pagas. Então realmente não tive escolha. Mas isso não teve nada a ver com o respeito e amor e longevidade que nós tínhamos. E bem francamente, eu pensei que seria resolvido. Eu pensei que (a petição) chamaria sua atenção e nós resolveríamos isso. Porque algumas vezes Michael esquecia, ou pensava que as coisas tivessem sido cuidadas e não foram. Então, acho que aquilo foi feito deliberadamente, também.

Jamie: Agora, a viagem para o Japão. Ele foi tão palhaço. Se lembra que beijou uma das garotas na boca? Michael tirou fotos; você podia jantar e tirar fotos com Michael. As pessoas estavam tão empolgadas com isso. Então fizeram aquele grande tributo a ele; pessoas estavam dançando como ele e as crianças cantando para ele. Ele ficou realmente animado com isso.

Raymone: É, ele ficou.

Jamie: Raymone, você não é só uma encarregada de relações públicas ou uma gerente geral, mas você é uma gerente de crises. Quando os artistas se dão muito mal com a imprensa, nem todo mundo pode fazer o que você faz. Você não é uma publicitária comum.

Raymone: Eu acho que isso vem dos anos que passei com política e boxe.

Jamie: Quando Marion Barry se candidatou novamente após seu julgamento, você e a esposa de Marion, Cora, foram fantásticas. Vocês foram literalmente as duas pessoas que o trouxeram de volta para a função pública porque todo mundo queria falar mal de Marion Barry. Mostre a fita. Você não os deixava mostrar aquela fita (de Marion Barry pego na câmera usando drogas), certo? Você disse, Eu não vou deixar você falar com ele se você mostrar essa fita.

Raymone: Mas foi somente um bocado de estratégia. E eu acho que isso é o que tem que acontecer. Veja, mesmo quando você está lidando com a publicidade de alguém, você não pode usar a mesma estratégia de imprensa para A que você usa para B ou você usa para C porque eles são todos indivíduos diferentes. Essas coisas têm que ser criadas baseadas em quem o indivíduo é. Você os deixa confortáveis expressando quem eles são e o que eles gostam de fazer e então fornece essas oportunidades que seriam comensuradas com onde seus talentos e influências estão.

Jamie: As duas mulheres, com exceção de sua mãe, que eram mais próximas e ele foram duas mulheres negras - você e (a babá) Grace, certo?

Raymone: Sim.

Jamie: A maioria das pessoas não sabe disso.

Raymone: E Evvy Close era próxima a ele também.

Jamie: E ela não é negra.

Raymone: Não.

Jamie: Ela ainda era próxima a ele nos últimos anos?

Raymone: Bem, ela ainda estava trabalhando com ele e esteve por lá por um longo tempo.

Jamie: Você passou sete anos com Michael.

Raymone: Mm-hmm, é.

Jamie: E você descobriu que ele era gracioso e muito gentil. Ele foi bem criado, eu diria.

Raymone: Singelo.

Jamie: Ele não era um tanto piadista também?

Raymone: É, ele era. Ele não era tão independente como as pessoas dizem.

Jamie: Você pensava que uma mulher negra poderia representar Michael?

Raymone: Não! Eu estava chamando as pessoas, gritando: eles não conseguiam entender o que eu estava dizendo. Eles acharam que estava sendo atacada. (risos)

Jamie: Você tinha orgulho de si própria? E todo seu time era negro, também. Você tinha Adean -

Raymone: É, Van, Emil, Bill, Teresa, Gladys...

Jamie: E o cabelo dele; era a Linda, certo?

Raymone: Sim, Linda Parrish.

Jamie: Você colocou Linda perto dele. Você cuidou de tudo. O contador dele foi meu CPA também. Você se assegurou de que tudo estava feito corretamente.

Raymone: E havia hispânicos e caucasianos. Ele tinha uma equipe multicultural.

Jamie: Quando você refinanciou o empréstimo da Sony-ATV, por que ele teve que refinanciar isso?

Raymone: Príncipe Abdulla refinanciou o empréstimo em 2006, mas o termo estava prestes a expirar, então teve que ser refinanciado de novo?

Jamie: E isso foi 300 e alguma coisa milhões de dólares?

Raymone: Trezentos e sessenta milhões.

Jamie: E então você orquestrou isso?

Raymone: É, eu juntei os times de conselheiros financeiros e advogados...

Jamie: Como você sabia fazer tudo isso?

Raymone: Com os anos que passei na política e estando aqui em Washington e -

Jamie: E sabendo a quem perguntar?

Raymone: Sabendo a quem perguntar e tendo referências.

Jamie: O que você acha que vai acontecer em seguida? Você é sempre tão otimista.

Raymone: Eu não sei. Michael Jackson tem sido uma parte tão grande da minha vida por anos. Mesmo quando eu não estava falando com ele, ele foi uma grande parte da minha vida. Mesmo quando ele não estava falando comigo, ele foi uma grande parte da minha vida. Então, eu não sei. Eu não acho que caiu a ficha que ele faleceu. Isso vem e jorra. Eu não consigo assistir mais (cobertura sobre sua morte).

Jamie: Por que você não consegue?

Raymone: Eu estou cansada de ver pessoas por lá que não falavam ou se comunicavam com ele e que estavam lá há apenas anos atrás. Michael Jackson era um homem mudado de anos atrás. Ele realmente era. Eu acho que muito do que ele passou no julgamento fez o seu jeito diferente. Ele se tornou assertivo e no controle. Ele estava sempre no controle. Sempre. E número dois, eu não gosto de assistir porque é pensar que ele está morto. Ainda não caiu bem a ficha. E quando eu olho pra ele e como ele estava vibrante, me entristece. E então começo a pensar, Por que?

Sabrina: Eu tenho outra pergunta: Você estava falando sobre a mudança de como todo mundo estava chamando-o de Rei do Pop. Mas eu vi outra mudança na mídia, que foi Michael, o possível viciado de alguma forma.

Raymone: Mas você sabe, quando você olha para Michael, o que me faz tão orgulhosa - e tenho que concordar com o Sr. Jackson, que tinha um amor incondicional para com seu filho; eu não me importo com quem diz outra coisa - Michael estava na capa de todas as maiores revistas. Ele consumiu as notícias totalmente, e eu gostaria que ele visse isso.

Sabrina: Você achou que ele jamais duvidou da sua capacidade de fazer isso de novo?

Raymone: Não, ele nunca duvidou. Uma das razões porque ele demorou é que ele quis voltar renovado e fazer algo diferente. Eu costumava dizer para ele, Como você pode superar o moonwalk? Ele ria e eu dizia, Ficaria satisfeita só de sentar lá pra ver isso. Mas ele era um criador de tendências e iria mesmerizar aqueles de nós que o vimos e toda uma nova geração de pessoas que não o viram. Eu estou convencida e certa disso. E eu sinto muito que ele não terá uma oportunidade de fazer isso.

3 de maio de 2010

Muito além dos Beatles e dos Rolling Stones

por Ana Carolina Prado
transcrito por Luciene Ribeiro dos Santos
Publicado no Jornal da USP em 19 de Julho de 2009



Michael Jackson soube unir o enorme talento que possuía ao uso da mídia – e foi isso que o transformou no maior ídolo pop do século 20 –, afirma professor da USP


Ele revolucionou a cultura da juventude dos anos 80 ao aparecer com um tipo de música bem diferente da que estava em voga até então. Enquanto os Beatles faziam apologia de uma atitude mais down, Michael Jackson trouxe o elemento lúdico, alegre, com uma coreografia nunca vista antes – e que iria influenciar enormemente os movimentos do hip hop naquela década e muitos artistas das décadas seguintes. Os jovens, sempre mais receptivos a novidades, absorveram essas inovações. Essa análise foi feita ao Jornal da USP pelo professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP Waldenyr Caldas, especialista em cultura pop e comportamento.

Segundo ele, para um artista se tornar um fenômeno popular, são necessárias duas coisas: trabalho midiático intenso e talento. “Não há mídia que crie talento, existe apenas a que o aproveita. O de Michael Jackson era extremo e indiscutível, e ele soube trabalhar com isso para ter a máquina midiática a seu favor.”

O professor faz uma comparação com o cantor brasileiro Roberto Carlos, que também conta com esses dois elementos. “Intelectuais podem não gostar de sua música, achá-lo brega (o que é extremamente preconceituoso e é um conceito que precisa ser melhor definido), mas ninguém pode questionar seu talento. Sem isso, ninguém permaneceria por tanto tempo.”

Michael Jackson surgiu nos Estados Unidos, e tudo o que acontece lá ganha dimensões planetárias devido às forças do capital e midiática, acrescenta o professor. Com o processo de globalização já se intensificando naquela época, não demorou muito para que ele virasse um fenômeno mundial. Nesse aspecto, superou Elvis Presley, que nunca chegou a se apresentar fora dos Estados Unidos. Michael, ao contrário, fez muitos shows em diversos países.

Para o professor, os grandes legados do rei do pop são as suas composições e a sua coreografia. “Michael Jackson era um compositor refinadíssimo, de raro talento. Foi um intérprete, em minha opinião, melhor que Elvis, e um ótimo cantor. E, principalmente, foi um grande coreógrafo. Nisso também era melhor que o primeiro.” Ele acredita que, sem Michael Jackson, a cultura pop ainda estaria mais próxima dos Beatles e dos Rolling Stones, com o deslocamento do eixo principal dos Estados Unidos para a Europa.

As excentricidades – Michael Jackson é daqueles artistas que, muitas vezes, são mais lembrados por suas excentricidades do que pelo seu trabalho. Mas o professor Waldenyr Caldas defende que o talento e o legado de Michael Jackson são superiores a todas elas. “Vários grandes artistas têm disso. Roberto Carlos tem transtorno obsessivo compulsivo, mas as pessoas não focam essas coisas, e sim o seu trabalho.”

“Michael sempre permaneceu muito imaturo psicologicamente”, diz o professor. “Mas talvez tenha sido isso o que o deixasse livre para fazer os movimentos que ele fazia. Imagine um adulto dançando daquele jeito, quando nunca ninguém havia feito isso antes.” Jackson tinha a liberdade de uma criança para dançar e criar.

Ele também introduziu um novo conceito e uma nova forma de fazer videoclipes. Se antes o comum eram vídeos com colagens de imagens ou simplesmente mostrando um show do artista, Michael criava enredos e fazia altíssimos investimentos em profissionais e efeitos especiais avançados para a época. Alguns recursos desenvolvidos para eles são usados até hoje. O vídeo de Scream (1995) custou US$ 7 milhões e foi o mais caro da história.

Jackson levou cineastas como Martin Scorsese (Bad) e Spike Lee (They don’t care about us) para dirigi-los, mas as ideias principais eram sempre dele. “É impressionante, ele que criava tudo. Scorsese só fazia o que ele pedia.” Para fazer o clipe de Thriller (1982), ele chamou o cineasta John Landis. O resultado foi um curta-metragem de 14 minutos que teve uma enorme influência sobre os clipes que vieram depois.

Lacuna – O professor acredita que a importância de Michael Jackson para a música e a cultura de uma forma geral está no mesmo patamar que a dos Beatles e Rolling Stones. E diz que, num cenário em que os fenômenos musicais parecem todos passageiros e descartáveis, é difícil que algum artista possa se tornar o sucessor do “rei do pop”.

“Depois dos anos 80, começa a se fragmentar a imagem do ídolo. Michael Jackson foi um dos últimos artistas a obter um destaque tão grande. Antes, quando alguém lançava um disco, era um acontecimento. Toda a mídia anunciava. Hoje existem tantos ídolos que ninguém sabe quando há um álbum novo.” Para ele, na área dos esportes ainda existem grandes ícones e o mundo ainda para por alguns deles. Mas ainda assim também é mais fragmentado do que antes. “Pelé hoje não seria único, por exemplo”, diz.

Waldenyr Caldas considera que talvez Prince pudesse ocupar o posto vago deixado por Michael Jackson. “Ele tem muito talento. Não poderia ocupar de fato o lugar de Michael, que é único, e Prince, apesar de bom cantor, não dança igual e não tem nenhum jogo de cintura. Mas talvez pudesse sucedê-lo como ícone do pop, apesar de ter aparecido um pouco antes.”